quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O filão da formação

    
 
Benfica-Tondela
 
   O Caixa Futebol Campus é um sucesso desportivo e financeiro graças à capacidade de formação regular de jogadores de alta competição. Gonçalo Guedes acaba de sair para o PSG por (30 ME+7 ME) e Hélder Costa parece ter suscitado o interesse do clube que atualmente representa, o Wolverhempton, por 15 ME. Um sucesso a juntar aos casos de Renato Sanches (45 ME+35ME), André Gomes (15 ME), Bernardo Silva (15 ME), João Cancelo (15 ME), Ivan Cavaleiro  (15 ME), perfazendo um total de 150 ME, eventualmente, 192 ME, sobretudo tendo em conta a difícil conjuntura de financiamento atual e a mais-valia líquida para a SAD pela ausência ou atenuação de custos de intermediação e, ou, de partilha de direitos.
 
   No longo prazo porém este sucesso poderá revelar-se inglório caso não propicie, correspondentemente, a redução do passivo líquido da SAD, que permitiria melhorar o recrutamento, o ciclo de permanência dos melhores e, consequentemente, a competitividade desportiva, devido à diminuição dos respetivos encargos financeiros.
 
   Apesar desta difusão de talentos promover a boa imagem externa do Benfica e potenciar o alavancamento de ganhos futuros - André Gomes já está no Barcelona e consta, atualmente, uma oferta de 80 ME por  Bernardo Silva -, deve ter-se presente a deceção dos adeptos. De facto estes não vêm o Benfica como um clube de passagem de grandes jogadores para "grandes clubes europeus", antes, de destino dos mesmos. E têm razão. O excessivo foco de Dirigentes e comentadores do clube na transação, passa como sinal de subalternidade que, inevitavelmente e a prazo terá reflexos na cultura de grandiosidade deste. Mas não é tudo. Esta cultura a que se pretende dar continuidade, tem muito a ver com a presença na equipa principal de grandes jogadores feitos em casa e que, pelo seu talento e fervor clubista suscitam o empolgamento geral dos adeptos. E é disto que é feita a grandiosidade dum clube de futebol. 
 
   O resultado robusto alcançado contra o Tondela (4-0)  no passado domingo "esconde" uma primeira parte sem talento para desbloquear a bem montada defesa contrária. Com seis defesas em linha, dois trincos e dois líberos, os tondelenses subiam rapidamente com vários jogadores, quando podiam. Teria bastado um "kilovate" no olho do fiscal de linha no lance do fora de jogo do Tondela, que quase deu golo, para, eventualmente, evitar a vitória dos encarnados. Felizmente que a entrada de Sálvio, o controlo emocional e as assistências longas, desmembraram a defesa contrária proporcionando a goleada. Julgo que há necessidade de melhorar o remate longo e o jogo aéreo da equipa, processos habitualmente eficazes contra as defesas fechadas, como foram as do Tondela e do Boavista.
 
   Inafortunadamente, parece que a Liga, mais uma vez, à semelhança do que aconteceu na época anterior relativamente ao Sporting, está apostada em garantir "rija" competição na prova em curso, desta vez com o Porto. Está com sorte. O desempenho dos árbitros tem constituído uma grande ajuda nesse propósito.
 
   O grande Marco Van Basten, a pedido da FIFA, creio, sugeriu alterações às regras do jogo, para o tornar mais interessante, uma das quais, o fim da regra do fora de jogo! Sabe do que fala, ele, que se viu forçado a abandar precocemente a carreira graças a uma "trancada" de um qualquer caceteiro. Já dei por mim a pensar o mesmo e gostava de ver; em princípio haveria mais espaço para os talentos, consequentemente, mais golos e espetacularidade. 
 
   O Inácio está a "afiar o dente"  com o Moreirense, que até já eliminou o Porto. É melhor arregaçar as mangas e "dar corda" às botas dos jogadores encarnados.