sábado, 28 de janeiro de 2017

Catrapum!


  
   Pois foi. Ao contrário do que costumava dizer Artur Jorge, desta vez, o Benfica perdeu mal. Devia e podia ter ganho. Mas perdeu.
   Do adversário destaca-se o mérito e a miséria. Mérito porque jogou os trunfos que tinha tentando fugir à goleada...e ganhou; miséria porque foi cobarde ao bloquear o jogo com paragens sucessivas por falsas lesões dos seus jogadores; um flagelo que se tornou corrente aos adversários do Benfica sempre que não estão a perder.
   Quanto aos encarnados julgo que foram vítimas de múltiplos equívocos de Rui Vitória. Mudou demasiado a equipa; totalmente remodelada a defesa ficou sem rotinas, sem pernas e sem líder. Uma imprudência. Viu-se. A Pizzi e Samaris faltou apoio no meio campo obrigando-os a enorme desgaste físico e ao recurso à falta. Compreendo a insistência em Carrillo e reconheço que tem qualidades, mas, nem apoiava o meio-campo nem fazia funcionar o seu corredor. Deveria ter sido substituído mais cedo. Percebeu-se que o jogo não estava para Rafa; demasiado cerimonioso na área e concentrado nas oportunidades de progressão, pareceu-me pouco sincronizado no processo defensivo. Jonas fez o seu trabalho, a que faltou o apoio na área para ser eficaz; sem outro avançado para marcar a defesa adversária não lhe concedia espaços. Daí as bolas no poste e na trave. Toda a manobra ofensiva dos encarnados ficou a cargo de Sálvio, pela direita, esgotando-se ingloriamente, dada a cerrada marcação de que era alvo. Zivckovic, a solução para "partir" a defesa dos cónegos, entrou tarde e foi ignorado pelos colegas, que perderam o discernimento, insistindo no lado contrário. Faltou, pois, um líder no terreno. Luisão. Pois é. E faltou decisão atempada a Rui Vitória.
Também faltou terreno adequado, condições atmosféricas mais amenas e melhores decisões do árbitro e sua equipa; há irregularidades nos lances do primeiro e do segundo golo do Moreirense, salvo o erro e houve demasiada tolerância com o revoltante antijogo dos jogadores desta equipa; generaliza-se como uma doença e acabará por afastar os adeptos.
   Evidentemente que a contenda poderia ter ficado resolvida logo na primeira parte a favor dos encarnados não fora a já citada cerimónia na finalização. O magnífico golo madrugador, à semelhança de outras ocasiões, parece que retirou alguma intensidade ao jogo do Benfica. Parece um padrão.
   Parece-me que a algazarra histriónica em torno das arbitragem e dos órgãos da Liga promovida sistematicamente pelos dirigentes do Sporting e do Porto está a resultar. Paulatinamente. Castigo para Rui Vitória por "ofensa à honra dos árbitros" e multa exemplar por reincidência. A diferença de tratamento denuncia parcialidade. Nada de novo.
   A estratégia do silêncio de Filipe Vieira, deve ser ponderada; Os Dirigentes devem defender o clube pela via institucional, como tem sido feito, mas também junto da opinião pública; é possível fazê-lo sem ofender implícita ou explicitamente, os visados. O silêncio pode ter muitas interpretações e, como se tem visto, a generalidade da imprensa não valoriza a sobriedade, a contenção e o respeito.
   Também há um padrão entre as lideranças políticas do país e os sucessos ou insucessos do Benfica. Um padrão que consolida uma velha teoria. As mudanças políticas radicais impõem o desmantelamento das estruturas económicas, dos referenciais institucionais e da ordem moral, dos antigos regimes.
   Um reparo à BTV; é um órgão de bajulamento,  por vezes doentio, dos Dirigentes. Os adeptos afastam-se. O nosso José Augusto afastou-se. Vamos lá perceber isto; sem crítica, nenhuma instituição evolui. A tolerância à crítica bem intencionada concita o engenho de funcionários e adeptos enriquecendo o clube. O medo dos excessos não deve bloquear os críticos que amam o clube. Por outro lado a satisfação da participação na BTV não deve inibir o exercício da dissidência.
FORÇA BENFICA!

P.S. Dá ideia que o Correio da Manhã funciona como suporte das decisões disciplinares do órgão respetivo da Liga. Na reportagem que fez do jogo entre o Benfica e o Moreirense para a Taça da Liga em curso, atribuiu a Rui Vitória observações aos árbitros, no final da partida, que se revelaram falsas face ao relatório do árbitro do jogo, denuncia efetuada pelo Benfica em comunicado público. Ora acontece que o castigo ao Treinador do Benfica foi aplicado de imediato. Perante a opinião pública, ainda que os factos sejam outros, ficou justificada a punição. Parece que a honra dos árbitros está em causa quando lhes apontam erros técnicos e disciplinares grosseiros, mas não quando são ameaçados de agressão, agredidos, ou quando é posta em causa a sua sexualidade ou dos seus ascendentes.  

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Do Portugal Profundo: A doença infantil do socialismo

Do Portugal Profundo: A doença infantil do socialismo: «(...) Existem todos os motivos para acreditar que o movimento comunista internacional se curará rapidamente e por completo da doença infa...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O filão da formação

    
 
Benfica-Tondela
 
   O Caixa Futebol Campus é um sucesso desportivo e financeiro graças à capacidade de formação regular de jogadores de alta competição. Gonçalo Guedes acaba de sair para o PSG por (30 ME+7 ME) e Hélder Costa parece ter suscitado o interesse do clube que atualmente representa, o Wolverhempton, por 15 ME. Um sucesso a juntar aos casos de Renato Sanches (45 ME+35ME), André Gomes (15 ME), Bernardo Silva (15 ME), João Cancelo (15 ME), Ivan Cavaleiro  (15 ME), perfazendo um total de 150 ME, eventualmente, 192 ME, sobretudo tendo em conta a difícil conjuntura de financiamento atual e a mais-valia líquida para a SAD pela ausência ou atenuação de custos de intermediação e, ou, de partilha de direitos.
 
   No longo prazo porém este sucesso poderá revelar-se inglório caso não propicie, correspondentemente, a redução do passivo líquido da SAD, que permitiria melhorar o recrutamento, o ciclo de permanência dos melhores e, consequentemente, a competitividade desportiva, devido à diminuição dos respetivos encargos financeiros.
 
   Apesar desta difusão de talentos promover a boa imagem externa do Benfica e potenciar o alavancamento de ganhos futuros - André Gomes já está no Barcelona e consta, atualmente, uma oferta de 80 ME por  Bernardo Silva -, deve ter-se presente a deceção dos adeptos. De facto estes não vêm o Benfica como um clube de passagem de grandes jogadores para "grandes clubes europeus", antes, de destino dos mesmos. E têm razão. O excessivo foco de Dirigentes e comentadores do clube na transação, passa como sinal de subalternidade que, inevitavelmente e a prazo terá reflexos na cultura de grandiosidade deste. Mas não é tudo. Esta cultura a que se pretende dar continuidade, tem muito a ver com a presença na equipa principal de grandes jogadores feitos em casa e que, pelo seu talento e fervor clubista suscitam o empolgamento geral dos adeptos. E é disto que é feita a grandiosidade dum clube de futebol. 
 
   O resultado robusto alcançado contra o Tondela (4-0)  no passado domingo "esconde" uma primeira parte sem talento para desbloquear a bem montada defesa contrária. Com seis defesas em linha, dois trincos e dois líberos, os tondelenses subiam rapidamente com vários jogadores, quando podiam. Teria bastado um "kilovate" no olho do fiscal de linha no lance do fora de jogo do Tondela, que quase deu golo, para, eventualmente, evitar a vitória dos encarnados. Felizmente que a entrada de Sálvio, o controlo emocional e as assistências longas, desmembraram a defesa contrária proporcionando a goleada. Julgo que há necessidade de melhorar o remate longo e o jogo aéreo da equipa, processos habitualmente eficazes contra as defesas fechadas, como foram as do Tondela e do Boavista.
 
   Inafortunadamente, parece que a Liga, mais uma vez, à semelhança do que aconteceu na época anterior relativamente ao Sporting, está apostada em garantir "rija" competição na prova em curso, desta vez com o Porto. Está com sorte. O desempenho dos árbitros tem constituído uma grande ajuda nesse propósito.
 
   O grande Marco Van Basten, a pedido da FIFA, creio, sugeriu alterações às regras do jogo, para o tornar mais interessante, uma das quais, o fim da regra do fora de jogo! Sabe do que fala, ele, que se viu forçado a abandar precocemente a carreira graças a uma "trancada" de um qualquer caceteiro. Já dei por mim a pensar o mesmo e gostava de ver; em princípio haveria mais espaço para os talentos, consequentemente, mais golos e espetacularidade. 
 
   O Inácio está a "afiar o dente"  com o Moreirense, que até já eliminou o Porto. É melhor arregaçar as mangas e "dar corda" às botas dos jogadores encarnados.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Já vi este filme!

 
  

   Há muitos anos. O protagonista chamava-se Calheiros. Carlos Calheiros.

   Olhemos para dentro:

   A equipa do Boavista entrou a pressionar alto, com muitos jogadores, intensidade e proximidade. Algo que o Guimarães fizera mas menos bem. Resultou. O jogo encarnado perdeu fluidez logo na origem. Nestes casos a bola deve ser colocada, diretamente, com critério, desde a linha defensiva, para as costas da defesa contrária.
 
   A falta de Pizzi  que originou o castigo do qual resultou o primeiro golo do Boavista foi displicente. Não havia razão para a cometer. Podia ter acompanhado o adversário estorvando a sua ação, recorrendo à carga de ombro se necessário; pelo menos até à entrada da área.
 
   No lance do segundo golo dos axadrezados, Lucas fez-se ao lance correndo sem oposição desde a sua área, o que lhe permitiu disputar o lance a André Almeida em vantagem, por, este, estar concentrado na bola. Sendo o Lucas defesa competia ao correspondente avançado fazer a marcação. De todo o modo, André Almeida deveria ter mantido vigilância ao espaço frontal e prevenir-se de forma a impedir ou prejudicar o cabeceamento do adversário.
 
   No terceiro golo dos nortenhos a defesa encarnada levou uma "banhada"! Dizem que as regras mudaram! Se mudaram foi para pior. É conveniente que estabilizem caso contrário poucos saberão jogar futebol. Seja como for, aprendi umas coisas. Tenho reparado que na marcação de faltas de zonas laterais a equipa atacante coloca um jogador em claro fora de jogo. Não sabia porquê; agora sei. Há duas razões; uma consiste em bloquear o defesa em melhor posição impedindo-o de se fazer ao lance; a outra, trata de desmobilizar os defesas por indução de fora de jogo. Foi o caso. Porém, mais uma vez, alguém deveria ter-se colocado nas costas do Iuri  de forma a disputar o lance ou avisar os colegas para subirem no terreno colocando ambos em fora de jogo. Treina-se. Foi um golo à falsa fé. Seria bom que esta regra fosse revogada; ninguém sabe o que fazer quando o adversário está fora de jogo nestes casos. Isto é para os espertos, não para os talentosos.
 
   Como se viu, Rui Vitória falhou na estratégia. Explicou e aceita-se a ideia. Aumentar a imprevisibilidade à defesa contrária com dois avançados muito rápidos, Rafa e Guedes, falhou, porque o tal Azeri ganhou o duelo a Guedes no lance em que Rafa o isolou. Coisas do jogo. Este, demonstrou que a formação correta teria sido a "clássica" desta época; Cérvi, Mitroglou, Jonas e Sálvio. Rui Vitória deveria tê-lo percebido mais cedo. Viu-se, efetivamente. Também se viu que, mais intensidade, nos fatídicos trinta minutos iniciais, teria evitado dissabores. Já agora, também nos vinte minutos finais. Mais uns minutinhos poderiam ter possibilitado a reviravolta E eram devidos.
 
   Erros grosseiríssimos da equipa de juízes a lembrar tempos de má memória na sequência dos quais este mesmo Boavista acabou despromovido. Ora se a única forma de amainar o tufão da contestação é errar contra os vermelhos e estes defendem a tolerância...aqui está o prémio. Agora sim todos de acordo; para vermelhos, verdes e azuis, "errar é humano".
 
   À parte o jogo, repetem-se velhos sinais; então saiu um louvor para o polícia que agrediu barbaramente, e sem causa, um adepto do Benfica, que lhe irá proporcionar a promoção, pela simples razão de a Ministra da Administração Interna ter "congelado" o processo em curso quando assumiu funções. Braga. O polícia é de Braga, tal como Luís Ferreira. A Ministra é do PS; o mesmo de Ana Gomes e de Helena Roseta, respetivamente, as campeãs do escrutínio público dos negócios futebolísticos na América latina e da revogação dos benefícios fiscais museológicos...que envolvam...o Benfica. Ora pois! Desfeitear os vermelhos, parece que fica bem aos "democratas".

Posto isto, há que dar o mérito a Miguel Leal - exceto em matéria do antijogo - e ao Iuri, Medeiros que "molha sempre a sopa" contra o Benfica; o livre foi soberbamente executado.
 
Força, Benfica!