terça-feira, 25 de julho de 2017

Polícias, salários e futebol

  
 
 
   Li há tempos que há quinze sindicatos na PSP. A comunicação social, todos os dias publica reivindicações dos mesmos sindicatos. Defendo que as questões corporativas destas instituições deveriam ser tratadas, preferencialmente, entre portas pelos mecanismos institucionais. Está em causa a confiança dos cidadãos nas instituições públicas, no Estado, em última análise, no regime. Todas as áreas da vida pública e privada são afetadas. Tem faltado prudência e sentido de Estado.
 
   Ora, maioritariamente, tais reivindicações, têm a ver com matéria retributiva; salários, subsídios, carreiras...e...os incompreensíveis gratificados. Estes, consistem numa retribuição particular pela prestação de serviços de segurança em eventos de natureza exclusivamente privada. Antes de mais considero que nenhuma força de segurança pública deveria fornecer serviços de segurança privada. A promiscuidade é má conselheira e indesejável. Para isso há entidades privadas licenciadas para o efeito. O que me parece é que, esta figura dos gratificados, não é mais do que um expediente para aliviar os cofres públicos da pressão salarial da classe. Uma habilidade à portuguesa.
 
   Consta que os agentes da PSP, ou os da Polícia de Intervenção, decidiram boicotar os jogos de futebol exigindo retribuição a título de serviço gratificado por considerarem tratar-se de eventos de natureza privada. Como é possível permitir-se tal insanidade? Os clubes de futebol são, quase todos, detentores do estatuto de utilidade pública. Tal não constitui tratamento de favor. Na verdade, são os clubes que facultam a prática do desporto, à generalidade da população, substituindo-se ao Estado, que se demite desta sua obrigação, limitando-se a distribuir uns pífios subsídios a algumas federações. Mas são os clubes que têm formado os campeões que difundem e consolidam o prestígio do país em algumas modalidades, desde logo, precisamente, a do futebol, seja ao nível de seleções - entre as melhores do mundo -, mas também do hóquei em patins e do futsal - campeões europeus em clubes -, recentemente no triatlo misto - campeões europeus -, mas também no atletismo - triplo salto (1º lugar olímpico), maratona, 100 metros, 11500 m, 0000 m, lançamento do peso - no judo - títulos europeus e um 3º lugar olímpico -, canoagem - com títulos europeus em várias disciplinas -, etc . etc.
 
   Acresce que os clubes de futebol profissional já contratualizam segurança privada para os jogos nos seus estádios e além do mais pagam avultadíssimos impostos pelo exercício da sua atividade, em todas as operações que lhe são inerentes. São eles que fornecem os atletas às seleções nacionais das quais os senhores agentes, certamente se orgulham.
 
   Se a moda pega, tal como consta que acontece em alguns países do terceiro mundo, ainda exigirão taxas de gratificados aos transeuntes por serviço de segurança privada. Já falta pouco.
 
Peniche, 25/07/2017  

domingo, 4 de junho de 2017

LIga dos Campeões; uma "palhaçada" condenada ao fracasso.

      Por sugestão amiga aceitei assistir ao jogo da final da Liga dos Campeões entre o Real Madrid e a Juventus, esperando ver um jogo bem disputado. Irritei-me. O Real Madrid ganhou justamente pelo desempenho em campo, nomeadamente no capítulo tático revelando grande disciplina e sincronização, sendo que o melhor lance, de longe, foi o golo dos italianos num magnífico jogo aéreo concluído com uma "bicicleta" soberba. Não gostei. Não gostei que, com uma vantagem de 3 a 1 os jogadores madrilenos tenham pressionados o árbitro a ponto de, este, expulsar, injustamente, o extremo da Juventus que, finalmente, agitava o flanco direito com algum perigo, numa tentativa de reação dos juventinos. Uma vergonha! A partir daí a Juventus ficou de "pernas partidas" impossibilitada de reagir! Não esqueçamos que Higuain não é de brincadeiras e pode resolver um jogo num momento.
 
   O caso é que já tinha visto os jogos da eliminatória do Real Madrid com o Bayern em que este foi miseravelmente eliminado graças à atuação do trio de arbitragem. Nos dois jogos! Ancelotti, tímidamente, ainda se manifestou, sem mais desenvolvimentos! Evidentemente que o Bayern irá ganhar uma próxima Liga dos Campeões. Um nojo!
 
  Ora, está visto, também por outros casos idênticos, que os clubes espanhóis gozam das preferências de UEFA, vá-se lá saber porquê! Se é assim, pelo amor de Deus; ofereçam todos os anos uma Taça dos Campeões Europeus a título honorário ao Real Madrid e deixem os restantes clubes disputar os troféus livremente! É que, são estas as causas de proliferação dos pintos no panorama futebolístico nacional; quem tem, afinal, autoridade moral para os censurar?
 
A juntar a tudo isto temos uma comunicação social subserviente, dependente e "acarneirada" (salvo seja).
 
Ora bolas!

A independência do Benfica

 
   Foi com agrado que li a notícia da saída do Novo Banco do capital social da SAD encarnada, algo que defendo há anos. Não conheço a origem da transferência do capital, mas saúdo-o pelo desconforto de ver o Benfica exposto a uma entidade com participação em todas as SAD nacionais. Espero que o "homem da Valouro" não se limite a fazer figura de corpo presente e contribua construtivamente para o sucesso do Benfica, rumo à conquista definitiva da Europa. Falta aos Dirigentes encarnados procederem à transferência da carteira de dívida para entidades desvinculadas dos adversários diretos, retirando-lhes as mais-valias com que os financiam. Não faltarão financiadores ao clube campeão europeu das receitas de transação de jogadores. Entretanto sugiro aos dirigentes do meu clube a alocação de 50 % das mais-valias das transações de jogadores para abatimento do passivo, proporcionando uma redução gradual de encargos que permitirá os ganhos competitivos necessários ao progresso nas competições europeias.
   De igual modo, parece-me imprescindível afastar Joaquim Oliveira das assembleias gerais da SAD, se necessário através de um aumento de capital; não é boa prática manter entre as hostes, um agente dos adversários proporcionando-lhe o conhecimento das opções estratégicas da SAD..
 

domingo, 14 de maio de 2017

Parabéns ao Benfica! Honra aos adversários!

   Este histórico tetracampeonato do Benfica foi a consagração da humildade, da união, da resistência e da competência individual e coletiva.  Rui Vitória, um dos grandes vencedores da época, com a nobreza de caráter que o distingue, não esqueceu todos os que, mesmo sem visibilidade pública, contribuíram para o sucesso. Este jogo com o Vitória de Guimarães foi o da consagração! Com uma exibição quase deslumbrante, inovadora - patente no 2º golo - jogadores e Técnicos quiseram presentear os seus adeptos e calar os críticos do "pé-coxinho"! Foi uma época atípica, em que a equipa encarnada foi sucessivamente fustigada com lesões na sua estrutura desportiva nuclear, em que o universo benfiquista, na figura dos seus líderes, foi sistematicamente provocado, enxovalhado, difamado, pelos que, conscientes da sua incapacidade de ganhar lealmente, fustigados pela inviabilidade financeira dos seus projetos, não hesitaram em adotar práticas incendiárias do ambiente desportivo, fomentando a conflitualidade sistemática, da qual, lamentavelmente, já resultaram mortos.  Foi a vitória de todos os atletas, titulares e não titulares, que, indiferentes à turbulência externa, mantiveram inquebrantável disciplina e concentração nos objetivos de cada momento e final. Mas, foi, sobretudo, a vitória do Presidente do Benfica que, mais uma vez, demonstrou visão estratégica eficaz e coragem para a levar a cabo, apesar de todas as resistências. E é isto que distingue os líderes! Parabéns Presidente Luís Filipe Vieira! Parabéns Benfica!
 
  

domingo, 12 de março de 2017

Benfica; Que sonho europeu?

   No que me diz respeito, ficou claro, logo no início da época, que a ambição europeia do Benfica consistia na passagem da fase de grupos. Feitos maiores só resultando da conjugação excecional de fatores como o sorteio, inspiração própria, desinspiração dos adversar ios e .....sorte com as arbitragens. Nada mais; a equipa não compensou a saída de Renato Sanches, causa primeira do sucesso relativo da época anterior. André Horta é um excelente jogador, mas diferente; infelizmente acabou afastado devido a lesão contraída, mais uma vez, na Seleção Nacional! É tanto azar que se deve investigar; tanto mais que desde há muito, se nota um evidente ostracismo no seio da FPF relativamente ao clube da Luz. Pizzi é fantástico, mas diferente; não tem a estrutura física e o carisma irradiante de Renato.
 
   Relativamente ao jogo com o Dortmond; os dois jogos revelaram enorme diferença tática entre as duas equipas, já visíveis nos jogos com o Nápoles e o Besiktas, e isto tem sobretudo a ver com a natureza das Ligas alemã e portuguesa. Cada clube desenvolveu o tipo de jogo adequado à sua realidade local.  Cá, os encarnados estão habituados a ter a bola e trocá-la "pachorrentamente" antes de desferir as ofensivas - em fogachos - aos adversários, habitualmente acantonados em frente da sua área. Ora o Borússia, não tendo, quanto a mim, jogadores tecnicamente superiores aos do Benfica, apresenta um posicionamento bem estruturado, uma dinâmica de elevada intensidade, que lhes permite recuperar rapidamente a posse da bola e lançar as ofensivas com pragmatismo e inteligência. Note-se uma particularidade já vista com o Besiktas e com o Moreirense; a dificuldade da defesa encarnada - quase insuperável no jogo aéreo - intercetar os cruzamentos a meia altura - dos 2º e 3º golos.
 
   Para além do referido antes, parece-me pouco inteligente, insistir na progressão em jogo apoiado pelo meio campo quando o adversário revela uma perícia invulgar a fechar linhas de passe, isolando quase sempre todos os jogadores encarnados. Já os lançamentos longos - que os alemães usaram -, para as costas da defesa contrária desde a nossa defesa suscitando a entrada dos avançados, quando, com raridade, aconteciam, desposicionavam os amarelos, invertendo a ordem do jogo, obrigando-os a correr atrás da bola e a abrir espaços no eixo central, então sim, criando condições para a entrada dos médios. 
 
   Este Benfica não luta pela posse da bola, prefere recuar - chegou a ter cinco defesas em linha e três trincos -, marcando à zona e esperar que o adversário a perca. Isto resulta com equipas mais fracas, não com as do calibre do Dortmond; entregar-lhes a bola é suicídio certo.
 
   Não estando em causa o desfecho da eliminatória, mais uma vez, a UEFA, revela as suas preferências através do desempenho dos árbitros; quanto a mim; grande penalidade por assinalar, expulsão perdoada e golo em fora de jogo, com prejuízo do Benfica nos três casos. O sonho, afinal, não era impossível! Os jogadores do Borússia de Dortmond sabiam-no...e temiam-no, demonstraram-no a partir dos oitenta minutos, quando desataram a fazer o anti-jogo, miserável, qual Moreirense. É verdade! Diga-se de passagem, que abomino, por fastidioso, o futebol tipo tiki-taka, que, à semelhança do Barcelona, apresentam.
 
   Olhando para o projeto desportivo do Benfica noutra perspectiva, ninguém tem dúvidas de que a instabilidade  desportiva provocada pela necessidade de financiamento corrente é a primeira razão da frustração de maiores ambições europeias. Em particular, as despesas de capital, resultantes do excessivo endividamento, consequência da opção pela construção do novo estádio. Por outro lado, o assinalável crescimento económico dos últimos anos, graças sobretudo ao extraordinário impulso das receitas da formação, só fará sentido se proporcionar aumento de competitividade da equipa sénior. E esta só será possível num quadro de redução do passivo de cerca de 50%, no curto-prazo.
 
   Cabe aqui referir o empenho da FIFA e da UEFA em acabar com os fundos de investimento por suspeita de origem duvidosa dos mesmos. A verdade é que esta era uma forma de os clubes intermédios, como o Benfica, se fortalecerem, adquirindo e mantendo mais tempo nos seu planteis jogadores de maior qualidade, constituindo uma ameaça para os ditos "tubarões". Esta realidade foi uma evidência, nesta eliminatória; com o fundo de investimento, Renato poderia ter ficado mais um ou dois anos no clube, fortalecendo-o. 
 
   A correria de Filipe Vieira por essa Europa na promoção da venda de jogadores nucleares, se necessária ao financiamento corrente, foi desastrosa no plano competitivo, pela incerteza que lançou nos jogadores em causa - ninguém pode ficar indiferente à mudança fulcral da sua vida -, e todo o plantel. Julgo mesmo que terá sido o que aconteceu com Lindeloff, infeliz nos lances do 2º e 3º golo deste jogo, mas não só. Uma improdência com elevados custos
 
   Por outro lado, é vital recentrar o clube, jogadores, adeptos e funcionários, na cultura das vitória plena e não na possível, eliminando o persistente discurso de conformismo e anuência que se tem estabelecido nos últimos tempos. Chega de invocar orçamentos, isto e aquilo; o primeiro passo para ganhar, é mental. Fala-se muito no Eusébio mas presta-se pouca atenção ao que ele diz.
 
   É notório, tanto a nível interno como externo, o défice de diplomacia institucional do Benfica; Em todas as instituições desportivas o Benfica deve fazer-se ouvir através de gente respeitada no meio. Só assim conseguirá chamar a atenção para a necessidade de correção dos erros estruturais e circunstanciais das competições e atrair aliados para a sua causa. Foi mais ou menos isto que o FCP fez nas últimas décadas, que ainda hoje lhe rende dividendos desportivos nas competições externas.
 
   Enfim; o excesso de unanimismo que se verifica no clube é prejudicial. A crítica é salutar e necessária ao progresso económico e desportivo de qualquer instituição na medida em que desbloqueia e suscita o contributo e a criatividade de todos para o objetivo comum.

Em resumo: o sonho europeu do Benfica exige maior ambição coletiva, estratégia tática diferente da equipa, menor endividamento, maior envolvimento institucional e mais participação interna.
 
Força, Benfica!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Já vi este filme (II)

  

   Pois já. O que não vi foi o jogo na cidade do "choco frito". Parece que faltou "gás"  aos encarnados e o Vitória marcou no segundo remate que fez à baliza fechando-se a sete chaves depois, distribuindo "paulada" aos adversários e paralisando o jogo com sucessivos mergulhos no relvado dos seus jogadores. E lá foram os três pontinhos a "voar".
 
   Antes de mais os jogos com o Vitória de Setúbal são sempre difíceis para o Benfica e o José Couceiro é conhecedor da arte e muito experiente. Por outro lado os encarnados têm sido fustigados com uma sucessão e acumulação de contrariedades a vários níveis; na equipa, na direção e na comunicação, que, conjugadas, acabaram por fazer mossa no rendimento dos jogadores.
 
  Quanto à equipa: a sucessão de prolongadas lesões em elementos fulcrais em curso desde o início da temporada acabou por retirar automatismos e agressividade ao conjunto. Júlio César que tinha um efeito estabilizador na equipa e permitia assegurar a recuperação de Ederson em momentos críticos, mantém-se inativo; A saída de Grimaldo e Eliseu por lesão retiraram profundidade e agressividade ao flanco esquerdo; A dupla de centrais Luisão-Lindeloff acusa alguma desconcentração em momentos cruciais agravada com a saída de Feysa; Nelson continua bem; Samaris dá o que tem; Pizzi parece esgotado; André Horta tão necessário agora, continua fora, graças, mais uma vez, à Srª Seleção - que, ou não convoca os jogadores encarnados ou, quando, o faz, envia-os para a enfermaria em menos dum fósforo; Sálvio - "a gazua" do lado direito - joga a espaços - desta vez foi despachado no jogo com o Moreirense; Mitroglou está bem, apesar da prolongada ausência; Jonas ainda procura a melhor forma; Guedes foi-se; Zivkovick, Carrilho e Cervi lutam por um lugar na esquerda, órfã de Gaitan. UFA! Não há equipa que aguente.
 
   Relativamente à Direção: a extinção do fundo de investimento da SAD e a crise bancária, apesar de toda a criatividade, impõem a venda de jogadores e o "aceleramento" da produção da "fábrica" do Seixal (o termo fábrica é doloroso); uma gestão talvez sem paralelo na Europa mas que tem um "custo de oportunidade" não negligenciável. Esta é uma equação difícil; mais competitividade exige melhores jogadores e melhor organização para o que é necessário mais financiamento, o que, por sua vez, exige venda de jogadores competitivos. Isto só funciona quando o último elo é mais competitivo que o primeiro. E como é que se consegue isso se a competitividade está associada ao valor de mercado? Com competência, é possível, mas nem sempre; esta época, a estrutura não conseguiu substitutos à altura de Renato e Gaitan. Por outro lado, nesta última janela de mercado especulou-se demasiado tempo a eventual saída de alguns jogadores nucleares; casos de  Lindeloff, Mitroglou, Ederson, Nelson Semedo e Guedes. Quem fica, quem sai, quem vem, que modelo de jogo, são questões que sempre "arrefecem" o ânimo dos jogadores, deconsolidando processos, o que talvez tenha acontecido, agora, ao Benfica.
 
   Do ponto de vista da comunicação, adotou-se a estratégia do silêncio com a consequente saída de João Gabriel e de Rui Gomes da Silva, perdendo-se capacidade de argumentação relativamente aos sistemáticos "ataques" adversários,  o que se tem revelado desastroso. Compreendo e defendo a necessidade de manter permanentemente todos os elementos da estrutura focados nas respetivas tarefas e sei que, impedi-lo, é o propósito dos rivais, mas é urgente encontrar o ponto de equilíbrio; defender o clube institucionalmente, como tem sido feito, não é suficiente; é necessário fazê-lo, também, junto da opinião pública; ele são os vouchers, ele são os penaltis e os vouchers, ele é a UEFA e os vouchers, ele é a FIFA e os vouchers, ele é o Ministério público e os vouchers, ele é a dívida e os vouchers, etc, Funcionou; o processo do CD da Liga esteve em banho maria aguardando o início da 2ª volta; os responsáveis da Liga cedem às exigências dos dirigentes que os promoveram aos cargos que ocupam organizando uma reunião de dirigentes, depois da qual ocorre o castigo ao Treinador Rui Vitória e graves erros de arbitragem contra o líder da prova obrigando-o a perder pontos. Prevalece a convicção de que, nessa reunião, ter-se-ão verificado acordos de bastidores entre vários "players" do futebol que determinaram o padrão que se estabeleceu na arbitragem em favor dos promotores da mesma. Filipe Vieira deveria ter estado presente para se fazer ouvir e denunciar publicamente o que lá ocorresse.

   Outras curiosidades de natureza político-partidária dão que pensar; há tempos Ana Gomes chamou publicamente a atenção para qualquer coisa que ocorreu na Colômbia relacionada com um jogador supostamente associado ao Benfica; Helena Roseta insurgiu-se contra as isenções fiscais aplicáveis ao Museu Cosme Damião conforme norma aprovada previamente e aplicável a todos os clubes da capital; A ministra da justiça suspendeu o processo disciplinar ao polícia que agrediu barbaramente um adepto do Benfica em Guimarães; os dirigentes da PSP louvam e promovem o mesmo agente. Tudo isto consolida uma velha convicção que tenho de que o Benfica está desde há décadas na mira do Partido Socialista apostado em desmantelar sistematicamente as instituições conotadas com o antigo regime e promover as de caris regional seguindo a velha doutrina liberal.

   Finalmente, assinale-se a reprovável postura de alguns diários nacionais, que, de forma cirúrgica, movem uma guerra de desgaste permanente ao Benfica, traduzindo-se num impacto desfavorável ao clube perante os adeptos, a opinião pública em geral e, quem sabe, das instituições desportivas tutelares.

   FORÇA BENFICA!  

sábado, 28 de janeiro de 2017

Catrapum!


  
   Pois foi. Ao contrário do que costumava dizer Artur Jorge, desta vez, o Benfica perdeu mal. Devia e podia ter ganho. Mas perdeu.
   Do adversário destaca-se o mérito e a miséria. Mérito porque jogou os trunfos que tinha tentando fugir à goleada...e ganhou; miséria porque foi cobarde ao bloquear o jogo com paragens sucessivas por falsas lesões dos seus jogadores; um flagelo que se tornou corrente aos adversários do Benfica sempre que não estão a perder.
   Quanto aos encarnados julgo que foram vítimas de múltiplos equívocos de Rui Vitória. Mudou demasiado a equipa; totalmente remodelada a defesa ficou sem rotinas, sem pernas e sem líder. Uma imprudência. Viu-se. A Pizzi e Samaris faltou apoio no meio campo obrigando-os a enorme desgaste físico e ao recurso à falta. Compreendo a insistência em Carrillo e reconheço que tem qualidades, mas, nem apoiava o meio-campo nem fazia funcionar o seu corredor. Deveria ter sido substituído mais cedo. Percebeu-se que o jogo não estava para Rafa; demasiado cerimonioso na área e concentrado nas oportunidades de progressão, pareceu-me pouco sincronizado no processo defensivo. Jonas fez o seu trabalho, a que faltou o apoio na área para ser eficaz; sem outro avançado para marcar a defesa adversária não lhe concedia espaços. Daí as bolas no poste e na trave. Toda a manobra ofensiva dos encarnados ficou a cargo de Sálvio, pela direita, esgotando-se ingloriamente, dada a cerrada marcação de que era alvo. Zivckovic, a solução para "partir" a defesa dos cónegos, entrou tarde e foi ignorado pelos colegas, que perderam o discernimento, insistindo no lado contrário. Faltou, pois, um líder no terreno. Luisão. Pois é. E faltou decisão atempada a Rui Vitória.
Também faltou terreno adequado, condições atmosféricas mais amenas e melhores decisões do árbitro e sua equipa; há irregularidades nos lances do primeiro e do segundo golo do Moreirense, salvo o erro e houve demasiada tolerância com o revoltante antijogo dos jogadores desta equipa; generaliza-se como uma doença e acabará por afastar os adeptos.
   Evidentemente que a contenda poderia ter ficado resolvida logo na primeira parte a favor dos encarnados não fora a já citada cerimónia na finalização. O magnífico golo madrugador, à semelhança de outras ocasiões, parece que retirou alguma intensidade ao jogo do Benfica. Parece um padrão.
   Parece-me que a algazarra histriónica em torno das arbitragem e dos órgãos da Liga promovida sistematicamente pelos dirigentes do Sporting e do Porto está a resultar. Paulatinamente. Castigo para Rui Vitória por "ofensa à honra dos árbitros" e multa exemplar por reincidência. A diferença de tratamento denuncia parcialidade. Nada de novo.
   A estratégia do silêncio de Filipe Vieira, deve ser ponderada; Os Dirigentes devem defender o clube pela via institucional, como tem sido feito, mas também junto da opinião pública; é possível fazê-lo sem ofender implícita ou explicitamente, os visados. O silêncio pode ter muitas interpretações e, como se tem visto, a generalidade da imprensa não valoriza a sobriedade, a contenção e o respeito.
   Também há um padrão entre as lideranças políticas do país e os sucessos ou insucessos do Benfica. Um padrão que consolida uma velha teoria. As mudanças políticas radicais impõem o desmantelamento das estruturas económicas, dos referenciais institucionais e da ordem moral, dos antigos regimes.
   Um reparo à BTV; é um órgão de bajulamento,  por vezes doentio, dos Dirigentes. Os adeptos afastam-se. O nosso José Augusto afastou-se. Vamos lá perceber isto; sem crítica, nenhuma instituição evolui. A tolerância à crítica bem intencionada concita o engenho de funcionários e adeptos enriquecendo o clube. O medo dos excessos não deve bloquear os críticos que amam o clube. Por outro lado a satisfação da participação na BTV não deve inibir o exercício da dissidência.
FORÇA BENFICA!

P.S. Dá ideia que o Correio da Manhã funciona como suporte das decisões disciplinares do órgão respetivo da Liga. Na reportagem que fez do jogo entre o Benfica e o Moreirense para a Taça da Liga em curso, atribuiu a Rui Vitória observações aos árbitros, no final da partida, que se revelaram falsas face ao relatório do árbitro do jogo, denuncia efetuada pelo Benfica em comunicado público. Ora acontece que o castigo ao Treinador do Benfica foi aplicado de imediato. Perante a opinião pública, ainda que os factos sejam outros, ficou justificada a punição. Parece que a honra dos árbitros está em causa quando lhes apontam erros técnicos e disciplinares grosseiros, mas não quando são ameaçados de agressão, agredidos, ou quando é posta em causa a sua sexualidade ou dos seus ascendentes.  

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Do Portugal Profundo: A doença infantil do socialismo

Do Portugal Profundo: A doença infantil do socialismo: «(...) Existem todos os motivos para acreditar que o movimento comunista internacional se curará rapidamente e por completo da doença infa...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O filão da formação

    
 
Benfica-Tondela
 
   O Caixa Futebol Campus é um sucesso desportivo e financeiro graças à capacidade de formação regular de jogadores de alta competição. Gonçalo Guedes acaba de sair para o PSG por (30 ME+7 ME) e Hélder Costa parece ter suscitado o interesse do clube que atualmente representa, o Wolverhempton, por 15 ME. Um sucesso a juntar aos casos de Renato Sanches (45 ME+35ME), André Gomes (15 ME), Bernardo Silva (15 ME), João Cancelo (15 ME), Ivan Cavaleiro  (15 ME), perfazendo um total de 150 ME, eventualmente, 192 ME, sobretudo tendo em conta a difícil conjuntura de financiamento atual e a mais-valia líquida para a SAD pela ausência ou atenuação de custos de intermediação e, ou, de partilha de direitos.
 
   No longo prazo porém este sucesso poderá revelar-se inglório caso não propicie, correspondentemente, a redução do passivo líquido da SAD, que permitiria melhorar o recrutamento, o ciclo de permanência dos melhores e, consequentemente, a competitividade desportiva, devido à diminuição dos respetivos encargos financeiros.
 
   Apesar desta difusão de talentos promover a boa imagem externa do Benfica e potenciar o alavancamento de ganhos futuros - André Gomes já está no Barcelona e consta, atualmente, uma oferta de 80 ME por  Bernardo Silva -, deve ter-se presente a deceção dos adeptos. De facto estes não vêm o Benfica como um clube de passagem de grandes jogadores para "grandes clubes europeus", antes, de destino dos mesmos. E têm razão. O excessivo foco de Dirigentes e comentadores do clube na transação, passa como sinal de subalternidade que, inevitavelmente e a prazo terá reflexos na cultura de grandiosidade deste. Mas não é tudo. Esta cultura a que se pretende dar continuidade, tem muito a ver com a presença na equipa principal de grandes jogadores feitos em casa e que, pelo seu talento e fervor clubista suscitam o empolgamento geral dos adeptos. E é disto que é feita a grandiosidade dum clube de futebol. 
 
   O resultado robusto alcançado contra o Tondela (4-0)  no passado domingo "esconde" uma primeira parte sem talento para desbloquear a bem montada defesa contrária. Com seis defesas em linha, dois trincos e dois líberos, os tondelenses subiam rapidamente com vários jogadores, quando podiam. Teria bastado um "kilovate" no olho do fiscal de linha no lance do fora de jogo do Tondela, que quase deu golo, para, eventualmente, evitar a vitória dos encarnados. Felizmente que a entrada de Sálvio, o controlo emocional e as assistências longas, desmembraram a defesa contrária proporcionando a goleada. Julgo que há necessidade de melhorar o remate longo e o jogo aéreo da equipa, processos habitualmente eficazes contra as defesas fechadas, como foram as do Tondela e do Boavista.
 
   Inafortunadamente, parece que a Liga, mais uma vez, à semelhança do que aconteceu na época anterior relativamente ao Sporting, está apostada em garantir "rija" competição na prova em curso, desta vez com o Porto. Está com sorte. O desempenho dos árbitros tem constituído uma grande ajuda nesse propósito.
 
   O grande Marco Van Basten, a pedido da FIFA, creio, sugeriu alterações às regras do jogo, para o tornar mais interessante, uma das quais, o fim da regra do fora de jogo! Sabe do que fala, ele, que se viu forçado a abandar precocemente a carreira graças a uma "trancada" de um qualquer caceteiro. Já dei por mim a pensar o mesmo e gostava de ver; em princípio haveria mais espaço para os talentos, consequentemente, mais golos e espetacularidade. 
 
   O Inácio está a "afiar o dente"  com o Moreirense, que até já eliminou o Porto. É melhor arregaçar as mangas e "dar corda" às botas dos jogadores encarnados.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Já vi este filme!

 
  

   Há muitos anos. O protagonista chamava-se Calheiros. Carlos Calheiros.

   Olhemos para dentro:

   A equipa do Boavista entrou a pressionar alto, com muitos jogadores, intensidade e proximidade. Algo que o Guimarães fizera mas menos bem. Resultou. O jogo encarnado perdeu fluidez logo na origem. Nestes casos a bola deve ser colocada, diretamente, com critério, desde a linha defensiva, para as costas da defesa contrária.
 
   A falta de Pizzi  que originou o castigo do qual resultou o primeiro golo do Boavista foi displicente. Não havia razão para a cometer. Podia ter acompanhado o adversário estorvando a sua ação, recorrendo à carga de ombro se necessário; pelo menos até à entrada da área.
 
   No lance do segundo golo dos axadrezados, Lucas fez-se ao lance correndo sem oposição desde a sua área, o que lhe permitiu disputar o lance a André Almeida em vantagem, por, este, estar concentrado na bola. Sendo o Lucas defesa competia ao correspondente avançado fazer a marcação. De todo o modo, André Almeida deveria ter mantido vigilância ao espaço frontal e prevenir-se de forma a impedir ou prejudicar o cabeceamento do adversário.
 
   No terceiro golo dos nortenhos a defesa encarnada levou uma "banhada"! Dizem que as regras mudaram! Se mudaram foi para pior. É conveniente que estabilizem caso contrário poucos saberão jogar futebol. Seja como for, aprendi umas coisas. Tenho reparado que na marcação de faltas de zonas laterais a equipa atacante coloca um jogador em claro fora de jogo. Não sabia porquê; agora sei. Há duas razões; uma consiste em bloquear o defesa em melhor posição impedindo-o de se fazer ao lance; a outra, trata de desmobilizar os defesas por indução de fora de jogo. Foi o caso. Porém, mais uma vez, alguém deveria ter-se colocado nas costas do Iuri  de forma a disputar o lance ou avisar os colegas para subirem no terreno colocando ambos em fora de jogo. Treina-se. Foi um golo à falsa fé. Seria bom que esta regra fosse revogada; ninguém sabe o que fazer quando o adversário está fora de jogo nestes casos. Isto é para os espertos, não para os talentosos.
 
   Como se viu, Rui Vitória falhou na estratégia. Explicou e aceita-se a ideia. Aumentar a imprevisibilidade à defesa contrária com dois avançados muito rápidos, Rafa e Guedes, falhou, porque o tal Azeri ganhou o duelo a Guedes no lance em que Rafa o isolou. Coisas do jogo. Este, demonstrou que a formação correta teria sido a "clássica" desta época; Cérvi, Mitroglou, Jonas e Sálvio. Rui Vitória deveria tê-lo percebido mais cedo. Viu-se, efetivamente. Também se viu que, mais intensidade, nos fatídicos trinta minutos iniciais, teria evitado dissabores. Já agora, também nos vinte minutos finais. Mais uns minutinhos poderiam ter possibilitado a reviravolta E eram devidos.
 
   Erros grosseiríssimos da equipa de juízes a lembrar tempos de má memória na sequência dos quais este mesmo Boavista acabou despromovido. Ora se a única forma de amainar o tufão da contestação é errar contra os vermelhos e estes defendem a tolerância...aqui está o prémio. Agora sim todos de acordo; para vermelhos, verdes e azuis, "errar é humano".
 
   À parte o jogo, repetem-se velhos sinais; então saiu um louvor para o polícia que agrediu barbaramente, e sem causa, um adepto do Benfica, que lhe irá proporcionar a promoção, pela simples razão de a Ministra da Administração Interna ter "congelado" o processo em curso quando assumiu funções. Braga. O polícia é de Braga, tal como Luís Ferreira. A Ministra é do PS; o mesmo de Ana Gomes e de Helena Roseta, respetivamente, as campeãs do escrutínio público dos negócios futebolísticos na América latina e da revogação dos benefícios fiscais museológicos...que envolvam...o Benfica. Ora pois! Desfeitear os vermelhos, parece que fica bem aos "democratas".

Posto isto, há que dar o mérito a Miguel Leal - exceto em matéria do antijogo - e ao Iuri, Medeiros que "molha sempre a sopa" contra o Benfica; o livre foi soberbamente executado.
 
Força, Benfica!